CEDAP - Aspectos psicopedagógicos
As salas do CEDAP são divididas por curso, sendo eles: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Habilidades Artesanais e Sociais, conforme a idade e nível de funcionamento de cada aluno. Assim, estão na Educação Infantil indivíduos de 3 a 5 anos de idade, no Ensino Fundamental: indivíduos de 6 a 14 anos de idade e nas salas de Habilidades Artesanais ou Sociais aqueles jovens a partir de 14 anos de idade.
Para cada aluno elaboramos um planejamento individual, dividido por bimestres, de acordo com as necessidades individuais e a proposta do MEC, adaptados ao Programa TEACCH. Quando se inicia o ano letivo, as pedagogas juntamente com as demais profissionais (fonoaudióloga, psicóloga, psicopedagoga e terapeuta ocupacional) observam o aluno, levantando objetivos a serem trabalhados durante cada bimestre. São em média três semanas de observações e registros para a elaboração do planejamento. Segue-se um roteiro de observação para cada curso (ver no menu sobre TEACCH – roteiro de avaliação).
O planejamento consta de: objetivos gerais, objetivos específicos, conteúdos, estratégias, materiais e avaliação. Nele deverão constar também todas as atividades extracurriculares programadas (passeios, visitas, projetos, entre outros).
Educação Infantil
Objetivos Gerais baseados no Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e adaptados para o Programa TEACCH:
- Familiarizar-se com a imagem do próprio corpo;
- Deslocar-se com destreza progressiva no espaço ao andar, correr, pular, etc., desenvolvendo atitude de confiança nas próprias capacidades motoras;
- Explorar e utilizar movimentos de preensão, encaixe, lançamento, etc., para o uso de objetos diversos;
- Apropriar-se progressivamente da imagem global de seu corpo, conhecendo e identificando segmentos e elementos e desenvolvendo cada vez mais uma atitude de interesse e cuidado com o próprio corpo;
- Explorar diferentes qualidades e dinâmicas do movimento, como força, velocidade, resistência e flexibilidade, conhecendo gradativamente os limites e potencialidades de seu corpo;
- Oferecer ao individuo autista, por meio do Programa TEACCH, condições para seu desenvolvimento integral, buscando a funcionalidade, comunicação e independência.
Objetivos específicos: de acordo com o nível de funcionamento, abordando as seguintes áreas: habilidades acadêmicas, comportamento, comunicação, atividades de vida diária e Programa TEACCH.
Atividades desenvolvidas: Organizar as agendas, Bom dia, Boa tarde, Trabalhar, Aprender, Lanche, Almoço, Escovação, Treino de rua, Comunicação, História, Banho, Lazer, Lazer integrado, Recreação, Grupo, Educação Física, Natação, Integração Sensorial, Música, Informática e Arteterapia.
Ensino Fundamental
Objetivos Gerais baseados nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e adaptados para o Programa TEACCH:
- Utilizar os conhecimentos construídos através da pratica, adquirindo progressivamente uma competência em relação à linguagem, ampliando-a para melhorar a capacidade de compreensão tanto na comunicação oral quanto na escrita;
- Utilizar atividades pedagógicas funcionais tendo como eixo norteador o Programa TEACCH onde espera-se que o aluno desenvolva-se de maneira global atendendo as necessidades e potencialidades da faixa etária, promovendo sua independência e comunicação;
- Propor atividades que oportunize a vivência de experiências reais, sintetizando, refletindo, abstraindo, criando hábitos de estudo com precisão, ordem, clareza, propiciando discussão sobre os assuntos obtidos.
- Construir conhecimentos, conceitos e procedimentos referentes à área de conhecimentos históricos que lhe permitam ler e compreender a realidade em sua dimensão.
- Ampliar a capacidade de observar, conhecer, explicar, comparar e representar as características do lugar em que vivem, as diferentes paisagens e espaços geográficos;
- Estimular as várias formas de expressões artísticas;
- Promover um trabalho interdisciplinar, por meio de atividades coletivas e cooperativas, permitindo que o aluno seja agente ativo da sua aprendizagem.
- Oferecer ao individuo autista, por meio do Programa TEACCH, condições para o seu desenvolvimento integral, buscando a funcionalidade, comunicação e independência.
Objetivos Específicos: de acordo com o nível de funcionamento dos alunos abordando as seguintes áreas: habilidades acadêmicas (Matemática, Ciências Naturais/Meio Ambiente/Saúde, História/Geografia, Artes e Língua Portuguesa), comportamento, comunicação, atividades de vida diária e Programa TEACCH.
Atividades desenvolvidas: Matemática, Ciências Naturais/Meio Ambiente/Saúde, História/Geografia, Artes, Língua Portuguesa, Treino de rua, Comunicação, Lanche, Escovação, Almoço, Informática, Banho, Atividade de Mercado, Culinária, Educação Física, Natação, Bom dia, Boa tarde, Alfabetização, Atividades práticas, Integração Sensorial, Arteterapia e Música.
Habilidades Artesanais e Sociais
Objetivos Gerais: baseados nas Diretrizes Gerais para a Educação de Adultos e Adaptados ao Programa TEACCH
- Estimular nos alunos autistas, as habilidades manuais, assim como, maior independência nas atividades de vida diária, reduzindo comportamentos inadequados;
- Propiciar atividades pedagógicas funcionais onde se desenvolvem conhecimentos para a vida cotidiana;
- Estimular a comunicação no grupo e integração na escola e comunidade;
Objetivos Específicos: de acordo com o nível de funcionamento de cada aluno, abordando as seguintes áreas: habilidades acadêmicas e artesanais, comportamento, comunicação, atividades de vida diária e Programa TEACCH.
Atividades desenvolvidas: Bom dia, Boa tarde, Informática, Atividade de Mercado, Culinária, Oficinas, Lanche, Escovação, Almoço, Treino de rua, Natação, Educação Física, Comunicação, Barbear, Manicure, Arteterapia e Música.
Com base na legislação brasileira, pensando que o CEDAP funciona como uma escola, a associação dos objetivos curriculares e o TEACCH se dá nas adaptações de materiais, sinalizações e na estruturação das tarefas que dão suporte ao programa.
Sobre a elaboração das atividades:
Para a elaboração de atividades é preciso considerar o nível e desenvolvimento dos alunos e os interesses individuais. É importante adequar o tipo de atividade com a idade cronológica, mesmo tendo aluno com déficit mental associado.A importância de adaptar o sistema individual de trabalho se dá para que o aluno receba e compreenda a informação advinda do meio. Seguindo e obedecendo ao sistema de trabalho, o aluno é capaz de trabalhar de forma independente.
Utilizamos os sistemas de trabalho, pois autistas respondem bem aos sistemas organizados e visuais, sendo assim, o professor deverá sempre organizar suas atividades efetivamente em sistemas de trabalho para ensinar seus alunos.
Sobre os sistemas de trabalho:
O sistema de trabalho consiste numa organização estruturada que engloba local, procedimento e material . Temos no sistema de trabalho as seguintes características: área de armazenamento, área de execução e área de atividade concluída. Ele pode estar em prancha ou pasta ou em qualquer local sinalizado, enfim, onde a atividade vai ser realizada, seguindo o esquema da esquerda para direita, e organizado de acordo com a compreensão do aluno.
Os sistemas de trabalho devem responder a quatro questões principais: Qual trabalho fazer? Quanto trabalho há por fazer? Como saber que terminou? O que virá em seguida?
Essas tarefas organizadas, “conversam com o aluno” e direcionam nas ações que devem ser cumpridas.
Um sistema de trabalho é composto por 3 etapas :
1ª é o emparelhamento do cartão (pictograma, objeto, escrita...) com a atividade correspondente. A seqüência das tarefas a serem cumpridas deverá estar disposta ao aluno.
2ª a execução da tarefa em si;
3ª o direcionamento da tarefa ao pronto após concluída.
Então a 1ª etapa + 2ª etapa + 3ª etapa = um sistema de trabalho.
Sistema de sequencialização visual das tarefas a serem executadas. O painel está na mesa do aluno.
O aluno faz a seleção do cartão indicado em primeiro lugar em seu painel e emparelha com a tarefa
Executando a primeira atividade, o cartão da próxima tarefa está imediatamente á vista
O aluno emparelha o cartão com o estimulo da sua próxima tarefa e a executa
ORGANIZANDO UMA TAREFA NA ESTRUTURA TEACCH:
O grande diferencial do material TEACCH é a organização dos materiais. Não basta oferecermos os itens dispostos sem estarem organizados para responder ao que o aluno precisa saber (o que eu devo fazer? por quanto tempo? o que fazer com estes materiais?. Como o material é auto-instrutivo, isto é "conversa" com a criança, basta olhar para a tarefa que a própria se encarrega de passar as instruções.
Veja os modelos:
A) Modelos de sistema de trabalho organizados a partir de brinquedos em miniatura:
Modelo de estrutura 1:
Estes são mini brinquedos encontrados com faciidade em lojas de artigos para festas e lojas de 1,99.
Ao invés de oferecermos os itens soltos sobre a mesa para que o aluno "brinque" com as peças, organizamos a atividade em um sistema de trabalho.
Aqui está a tarefa organizada seguindo a estrutura TEACCH: os brinquedos estão organizados de forma a exigir do aluno as habilidades de transferência e seleção de objetos. Sendo assim, na área de armazenamento (esquerda) os itens estão todos juntos. Na área de execução (direita) aparece a auto-instrução. Recipientes com um modelo de cada já oferecem as dicas do que se espera do aluno: selecionar por categorias os itens que estão agrupados.
O educador precisa ter a consciência de que as adaptações curriculares passam pela escolha do material, adequação á faixa etária, conexão com o nivel de funcionamento e obediência aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Com isto em mãos, qualquer atividade pode ser organizada na estrutura TEACCH.
Modelo de estrutura 2:
Este é um material adquirido em banca de revistas (Edição TODOLIVRO) e consta de elementos adesivos para serem colocados na imagem maior. Observa-se uma grande quantidade de adesivos para somente 6 espaços de formas geométricas (na figura do elefante). Essa variedade de estímulos pode confundir o aluno com autismo e provocar o erro.
Na estrutura TEACCH, organizamos o material acima da seguinte forma:
a) separamos os adesivos que cabem exatamente nos espaços da ilustração
b) colamos em papel cartão, plastificamos (ou passamos contact transparente) e colocamos velcro
c) fixamos os itens em um folder (ou pasta) - os itens móveis (a esquerda) na área de armazenamento e o item fixo (a figura do elefante) na área de execução. Nota-se em cada espaço em branco do elefante, um velcro.
Assim, a criança saberá que inicialmente por transferência (da esquerda para a direita) deverá transpor as formas para o seu respectivo espaço. Usamos a ESTRUTURA para organizar uma atividade inicialmente complexa e cheia de estímulos e assim, transformá-la em um sistema de trabalho visualmente planejado para o estilo de aprendizagem da criança autista.
B) Modelos de sistemas de trabalho organizados a partir de material educacional de uso comum:
Modelo de estrutura 1:
Esta é uma página de um material escolar usualmente utilizado em salas de ensino fundamental. Da forma na qual está apresentada, esta tarefa apresenta alguns problemas para o aluno autista: a instrução engloba 3 conceitos e 3 instruções ("complete as palavras com E ou A", "siga a trilha" e "pinte as setas") e a disposição das setas podem gerar confusão. Como consequência, o professor terá que dispender de mais tempo e mais apoio para orientar o aluno autista.
A imagem agora mostra a mesma atividade adaptada na forma de sistema de trabalho, indicando de forma visualmente estruturada o que o aluno tem que fazer sem que seja necessária tamanha intervenção do educador. A estrutura organizada se preocupou em oferecer somente uma instrução visual ("complete as palavras"), oferecendo somente uma ordem. No entanto, deixamos a tarefa mais complexa introduzindo a família silábica TA-TE-TI-TO-TU. O material original foi xerocado, os itens foram reduzidos e transformados em uma pasta de atividade.
Modelo de estrutura 2:
Modelo publicado na revista PROJETOS ESCOLARES - ENSINO FUNDAMENTAL ano 1 número 52
Online Editora página 06
A matéria orienta educadores como confeccionar figuras geométricas para serem usadas como Tangran e cita algumas modalidades de uso a partir de modelos a serem montados.
Adaptando a mesma proposta aos recursos do TEACCH, observe que ao invés das figuras ficarem dispostas aleatoriamente sobre a mesa para manuseio, para o autista, a tarefa foi organizada já com o modelo a ser completado e as peças estão disponíveis com clareza para o aluno. O padrão TEACCH pode ser observado ao classificamos a tarefa como uma atividade de nível III, adaptada em pasta, com as imagens fixas e ordenadas de cima pra baixo.
Sobre as atividades gráficas e jogos pedagógicos:
As tarefas gráficas devem ser organizadas também em sistemas de trabalho contendo todo o material que será utilizado naquela determinada tarefa. Exemplo: se o aluno vai utilizar tesoura para recortar o círculo, somente a tesoura e a folha com o círculo (com a dica visual de recortar – tesoura desenhada na borda do círculo) deverão estar na cesta ou caixa ou pasta. O número de atividades vai variar conforme o tempo de tolerância do aluno, e não precisam necessariamente acontecer apenas uma vez ao dia.As atividades não devem ser iguais para todos, e sim de acordo com o planejamento de cada um. As tarefas precisam ser sinalizadas, onde o aluno olhando entenda o que deverá fazer. “Conteúdos vagos” favorecem que o objetivo não seja atingido e exigem uma supervisão constante do professor.
Os jogos pedagógicos também podem ser oportunizados de acordo com o conteúdo proposto para o bimestre. Os jogos precisam necessariamente ser apresentados em sistemas de trabalho, com sinalizações adequadas à compreensão do aluno, como o que devo fazer em que momento e quando acabou.
Ensinar alunos autistas usando sinais visuais é uma das formas de estimular suas aptidões visuais e potenciais.







