APAE - Sobre a entidade

Sr Moacyr Fonseca Jr
Entrevista do Sr. Moacyr Fonseca Júnior, Presidente da APAE de Pirassununga/SP ao Jornal “O MOVIMENTO”
Maio de 2009
Como começou a APAE no Brasil?
“O movimento apaeano surgiu no Brasil em 1954, por inspiração de uma cidadã americana, ilustre dama do corpo diplomático, chamada Beatrice Bermi. Sob sua liderança, um grupo de 48 abnegados fundou a APAE do Brasil, a do Rio de Janeiro. Sua idéia era organizar um movimento comunitário, similar ao que existia em sua terra, com a participação ativa dos pais.
Perguntando aos pais o que queriam: um hospital, uma creche, um asilo, a resposta foi unânime: queremos uma Escola para nossos filhos.
Assim, o movimento apaeano nasceu com vocação de Escola.”
E em Pirassununga, como surgiu a APAE?
“A APAE-Pirassununga surgiu em 1969 graças aos esforços e luta de uma ilustre dama pirassununguense, Da. Joilda Marra Pozzi.
É dela o mérito da criação da APAE nossa cidade. Foi ela que trouxe a idéia, que nos ensinou o que fazer. Foi Da. Joilda a grande líder de um grupo de pais e amigos interessados pela causa da pessoa com deficiência.
Lembro-me em abril de 1969 Da. Joilda procurou-me e à minha esposa e expôs sua intenção. A princípio, duvidei e não acreditei, mas, em decorrência de seu entusiasmo, entusiasmei-me também.”
Quantas pessoas compareceram na Assembléia de fundação?
“A fundação oficial aconteceu no dia 10 de Junho de 1969, na sala de reuniões da Associação Comercial e Industrial de Pirassununga. Compareceram trinta e uma pessoas.
Da. Joilda assumiu a Presidência da Assembléia e fui nomeado para atuar como Secretário “ad-hoc”. Tive a honra de lavrar a ata de fundação e ler o primeiro Estatuto Social da APAE-Pirassununga. Desde então, nunca mais me desliguei da entidade.”
Qual foi a primeira Diretoria?
“A primeira Diretoria estava assim constituída: Presidente: Dr. José Anézio Palaveri; Vice-Presidente: Joilda Marra Pozzi; Secretário-Geral: Moacyr Fonseca Junior; 1º Secretário: Raul Scatolini; 2º Secretário: Edmur de Oliveira Costa; 1º Tesoureiro: Luiz Montanheiro; 2º Tesoureiro: João Carlino.
As atividades começaram onde?
“Iniciamos as atividades no pavimento superior de uma loja de calçados em frente à Escola de Comércio Dr. Fernando Costa. Eram seis alunos, duas professoras e uma servente.
De lá, como a APAE já mostras de seu vigor, crescendo, alugamos uma residência na Rua José Bonifácio, em frente ao Jardim, onde hoje se localiza uma farmácia.”
E as instalações atuais, como surgiram?
“Destaque especial para o Prefeito da época, Dr. Lauro Pozzi. Influenciado por Da. Joilda, sempre ela, o Sr. Prefeito fez a doação de um magnífico terreno para construção da Escola da APAE.
Pela Lei Municipal nº 1.134/72, de 30 de Agosto de 1972, foi autorizada a doação de uma área de 9.782, 54 metros quadrados, para de acordo com o texto: “ali seja construída todas as dependências necessárias ao benefício dos excepcionais”
Alguma recordação especial?
“Muitas! Não se pode esquecer também de uma cidadã americana, residente em Pirassununga, naquela época, Da. Muriel Olsen. Se o movimento apaeano no Brasil teve uma amerciana, Da. Beatrice Beemi, o movimento apaeano em Pirassununga teve também uma cidadã americana, Da. Muriel Olsen. Ela conseguiu para a APAE a primeira doação, na época de três mil cruzeiros.”
E a APAE hoje?
“De duas modestas salas, transformou-se a APAE-Pirassununga em um grande complexo de saúde e educação. São 8.454,74 metros quadrados de área construída, abrigando todos os programas ou sistemas operacionais: Centro de Atendimento Especializado em Educação (Educação Infantil e Ensino Fundamental); CEDAP (Centro de Estudos e Desenvolvimento do Autismo e Patologias Associadas); Oficinas (Pré-Profissionalizante e Protegida), Centro de Atendimento Especializado em Surdos (CAES) e Saúde (ares médicas de pediatria, neurologia e psiquiatria, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia com atendimentos para gestantes de risco e equoterapia).”
Como é a administração?
“A administração centralizada prova-se, cientificamente, ineficaz. Nosso modelo de administração é totalmente descentralizado. Os cinco programas, ou Sistemas Operacionais, são comandados por cinco Coordenadoras, todas especialistas em suas áreas de atuação. Quebramos a APAE em cinco pedações e fizemos pequenas APAEs. Popularmente dizemos que fizemos “apaezinhas” dentro da “apaezona”.
Temos ainda um Sistema de Coordenação que reune-se mensalmente. Avalia o mês que passou e corrige os rumos para o mês seguinte.
Temos uma Diretora Técnica-Administrativa.
Por trás de tudo, temos o Sistema de Alta Gestão, ou seja, a Diretoria eleita. Somos voluntários que nada ganhamos pela responsabilidade de conduzir a APAE.”
Quantos funcionários tem a APAE?
“A APAE possui hoje 175 funcionários, distribuídos pelas mais diferentes áreas. Temos Departamento de Recursos Humanos, Departamento de Contabilidade e Secretaria. Ainda possuímos toda equipe de apoio: motoristas, serventes, merendeiras, serviços gerais, mensageiros, operadoras de telemarketing, guardas que atuam 24 horas. Além das professoras regentes de sala, todas pedagogas e com curso de especialização na área da Educação Especial, nosso quadro contra com duas professoras de artes, uma professora de música, quatro professoras de educação física, uma nutricionista e três assistentes sociais.”
E quantos alunos possui a APAE?
“Não diria apenas “alunos”. Os cinco sistemas operacionais atendem hoje 732 assistidos, em dois períodos. Isso gera uma despesa muito grande. Só para exemplificar, são servidas 6.600 refeições/mês, em média e o sistema de saúde gera 10.300 procedimentos/mês (média anual).”







